| Vídeo Interativo | SIMULACRO | 2003
 

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| Simulacro | Vídeo interactivo | Exposição Colectiva "Imagens Reais" | Semana Multidisciplinar | Escola das Artes | Porto | Março 2003.

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| A realidade não tem início nem fim, é a própria passagem do tempo. Um tempo em espiral, infinito. Esta noção, é explorada em Simulacro pela não linearidade dos fragmentos de vídeo e pela sua recorrência. A cada segmento de vídeo segue-se outro numa ordem aleatória. Composto por 19 segmentos, com duração variável entre os 10 segundos e os 3 minutos, Simulacro vai desfilando indiscriminadamente de um a outro segmento, numa passagem contínua e infinita.

| Os fragmentos de realidade simulada apresentados em Simulacro, fazem parte do quotidiano intrínseco que me rodeia. Os lugares e os objectos aqui representados fazem parte do meu registo enquanto pessoa que observa a realidade e que simultaneamente é observado.

| Desde sempre a necessidade de representar a realidade, tem sido objecto de estudo. Com a invenção da fotografia, foi finalmente possível uma representação quase fidedigna dessa mesma realidade (digo quase, devido às opiniões divergentes que defendem a técnica fotográfica como uma forma de representação bidimensional da realidade). Mais tarde, com o surgimento do cinema, primeiro, e do vídeo em seguida, essa representação ganha uma nova dimensão, a dimensão temporal. A possibilidade de representar o espaço temporal com o visionamento de 24 imagens por segundo veio aproximar esta noção de representação (no entanto continuamos a perceber a realidade de uma forma bidimensional). Estas soluções, procuravam uma representação, quase, automática da realidade. Através da decomposição de um feixe de luz solar, a impressão da realidade é feita numa superfície sensível, de uma forma quase instantânea. Com o apareceimento da tecnologia digital, toda esta estrutura representativa é posta em causa. Edmond Couchot refere que "les technologies numériques nouvellement apparues bouleversent complètement cette disposition. Elles ne donne plus une représentation automatique du réel mais une simulation" (Cahiers Internationaux de Sociologies, vol. 83, 1987, p.85). Isto é, com a codificação numérica, o que passamos a ver nos nossos monitores, já não é uma representação automática da realidade mas sim uma simulação. As imagens digitais passam a ser uma representação codificada do real através da abstracção dos dígitos.