| Instalação Interativa | [FRAGMENTS_01] | 2004
 

_________________________________________________________________________________________________________________________

| [fragments_01] | Projecto de DEA (Diplôme d´Études Approfondies) | Universidade Paris 8 | Paris | França | Departamento de Artes Plásticas | Área "Art Contemporain et Art des Images" | Orientação professor Jean-Louis Boissier | Setembro 2004.

________________________________________________________________________________________________________

| O conceito de Aleatório foi largamente estudado e aplicado nas últimas décadas. Sobretudo na matemática, mas também na pintura, na literatura, na música e no cinema encontramos ainda hoje, estudos, obras e artistas que utilizam processos aleatórios ou fenómenos do acaso nas suas criações ou investigações. Este nosso estudo procura aplicar na imagem vídeo digital novos paradigmas ligados ao determinismo e à casualidade, sem esquecer os momentos de concepção e interpretação da obra artística. A partir do projecto experimental [fragments_01] pudemos concretizar o nosso propósito, através da instalação de um trabalho sobre o aleatório e sua aplicabilidade na imagem vídeo digital. Este estudo empírico permitiu igualmente lançar novas pistas para uma utilização distinta da imagem em movimento.

| A ideia subjacente ao projecto [fragments_01] é a de fazer sentir ao espectador a descoberta do aleatório, da variação infinita, pondo em causa o papel do autor; Texturas visuais; Imagens da água e do fogo; imagens da natureza; texturas visuais em constante alteração; imagem em constante transformação; alteração dos significados; Texturas sonoras; som concreto ligado aos elementos da natureza versus som abstracto.

As imagens utilizadas em [fragments_01], são imagens gravadas à partir da realidade. São texturas visuais que exprimem, intrinsecamente, o aleatório. As sequências filmadas representam elementos da natureza, como a água e o fogo. A partir de planos fixos, gravei mais de 50 configurações dos elementos escolhidos. Na indagação de uma realidade fluida e em constante transformação, registei imagens de água e fogo:

É a imagem da água que se esgota no remoinho da pia, as gotas que percorrem os seus rebordos.

A imagem da água que aparece do vazio, para deixarse cair numa fonte em forma de repuxo e que se transforma por trajectos aleatórios e descontínuos.

A água do mar em forma de onda, que vai e vem num percurso descontínuo a cada instante e atravessa a imagem (como o pincel de um artista sobre a tela branca do quadro por pintar) e que, a cada ida e volta reinventa uma nova imagem.

A água da chuva que cai sobre a superfície de mármore com as suas gotas que respingam na irregularidade da pedra. A cada momento uma imagem renovada, um quadro inacabado.

Também é essa imagem do fogo que fixa as suas texturas irregulares na imagem capturada. À cada instante uma nova forma aparece no desejo das chamas em incandescência. A madeira reduz-se em carvão, as brasas regozijamse, o fogo consome o real e o imprevisível ocorre.

O fumo, esse produto gasoso que se desprende do fogo, também é anunciado nesta transfiguração permanente. A imprevisibilidade da sua aparência é evidente e reenvia-nos para interpretações diversas e renovadas em cada possibilidade.

Todos estes acontecimentos naturais, em constante mutação e transformação, formam texturas visuais que se renovam incansavelmente. Esta ideia de imagem composta por texturas naturais foi preponderante no momento do registo da imagem em movimento. A imagem visual é como uma tela que se renova em cada fotograma da sequência vídeo, uma espécie de pintura com imagens em movimento. A imagem capturada não é mais controlável, construindo-se no imprevisto.

 

Para mais informações sobre o projecto, descarregar o artigo " O aleatório na imagem vídeo digital: o projecto experimental [fragments_01]".