| Instalação Interativa | FAUSTINE | 2010
 

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| FAUSTINE | Carlos Sena Caires & Jorge Cardoso

Uma produção:

VIDEO-OBJECT INTERACTVE DEVICES

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| Descarregar | FAUSTINE | 1´30´´| MPEG-4 | 11 MB

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Instalação integrada na exposição colectiva “As máquinas de Morel: Alcance e Retenção”.
À partir do texto A invenção de Morel de Adolfo Bioy Casares (1940).

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| Palavras-chave | Narrativa Fílmica | Interactividade | Instalação | Imagem-cristal | Cinema.

A invenção de Morel conta uma história de amor de personagens separados pelo tempo e pela paixão que os une. Para que tal desejo se concretize (o do amor eterno), um deles terá que se sacrificar numa ilusão de real onde nunca poderá satisfazer por completo o seu amor para com o outro.

A invenção de Morel é também uma máquina de gravação e reprodução de personagens - simulacros dos seres vivos. É uma metáfora literária do desejo e da necessidade que ressentem os seres humanos de representar ou recriar o seu próprio mundo, ou pelo menos de conservar a sua ilusão.

Para Morel : “Todos os aparelhos de suprir ausências são, pois, meios de alcance (antes de se ter a fotografia ou o disco, é preciso tirá-la, gravá-lo)”. (p. 92).

Os meios de alcance e retenção são todos aqueles meios que, per si, conseguem gravar e reter uma imagem, um som, um espaço-tempo. O cinematógrafo, a fotografia, o fonógrafo, enquanto verdadeiros arquivos, são meios de alcance e retenção.

A nossa proposta parte da ideia de irmos ao encontro de Faustine. Presa numa máquina do tempo que se repete infinitamente, tentamos através de uma imagem-espelho levar o espectador até à protagonista de Casares. Essa imagem-espelho é uma das 5 possíveis imagens-cristal propostas por Gilles Deleuze.  Para este filosofo “a imagem no espelho é virtual em relação ao personagem actual que o espelho captura, mas ela é actual no espelho que deixa ao personagem apenas e só uma simples virtualidade e o empurra para fora de campo.” (Deleuze, Cinema II: Imagem-tempo, pp. 94-95). “Quando as imagens virtuais proliferam desta forma [nos múltiplos reflexos de vários espelhos], o seu conjunto absorve toda a actualidade da personagem, ao mesmo tempo que essa mesma personagem não é mais que uma virtualidade entre os outros”. (Deleuze, p. 95). Assim, a irredutibilidade da imagem-cristal consiste na unidade indivisível de uma imagem actual e da “sua” imagem virtual.

“A eternidade rotativa pode parecer atroz ao espectador; é satisfatória para os seus desejos. Livre de más notícias e de doenças, vivem sempre como se fosse a primeira vez, sem recordações das vezes anteriores.” (Adolfo Bioy Casares, A Invenção de Morel, 1940, p. 100).
“A minha alma não passou, ainda, para a imagem; se não, eu teria morrido, teria (talvez) deixado de ver Faustine, para estar com ela numa visão que ninguém recolherá”. (idem, p. 122).